Ozempic vs Wegovy vs Mounjaro: as diferenças explicadas por um médico
São os três nomes que toda a gente ouve quando se fala em perda de peso medicada. Mas o que os distingue de facto? Este artigo explica, em linguagem clínica acessível, o que cada um faz, em quem está indicado e o que esperar.
Ozempic — semaglutida (1ª geração)
Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um agonista do recetor GLP-1. Foi originalmente aprovado para o tratamento da diabetes tipo 2. Em Portugal continua a ser oficialmente indicado para diabetes, embora seja usado off-label para perda de peso em muitos contextos.
Administração semanal por injeção subcutânea. Doses tipicamente entre 0,25 mg e 2 mg.
Wegovy — semaglutida (mesma molécula, indicação de obesidade)
Wegovy é também semaglutida, mas formulada e aprovada especificamente para o tratamento da obesidade. A molécula é a mesma do Ozempic; muda a dose máxima licenciada (até 2,4 mg semanais) e a indicação.
Em ensaios clínicos, a perda média de peso ao fim de 68 semanas foi de cerca de 15% do peso corporal — substancialmente superior a qualquer fármaco anterior para obesidade.
Mounjaro — tirzepatida (agonista duplo GIP/GLP-1)
Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula diferente que ativa simultaneamente dois recetores (GIP e GLP-1). Esta dupla ação traduz-se, na maioria dos estudos comparativos, em maior perda de peso do que a semaglutida.
Em ensaios clínicos, a perda de peso média atingiu 20–22% do peso corporal nas doses mais altas (15 mg semanais).
Como decidir
A decisão depende de vários fatores: o seu IMC, comorbilidades (diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia), tolerância gastrointestinal, disponibilidade do fármaco e custo. Em 2026, em Portugal, há ainda períodos de rutura de stock em certas apresentações.
A escolha deve ser sempre feita em consulta médica — não só porque há contraindicações importantes (história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tiroide, pancreatite, etc.) como porque a titulação da dose precisa de seguimento.
Efeitos secundários comuns
Os três partilham um perfil de efeitos secundários gastrointestinais: náuseas, obstipação ou diarreia, refluxo, sensação de enfartamento precoce. São mais marcados nas primeiras semanas e durante os aumentos de dose, e diminuem com o tempo.
Menos frequentes mas relevantes: vesícula biliar (cálculos), pancreatite, reações no local da injeção, alterações do humor. A monitorização médica regular minimiza riscos.
E os medicamentos manipulados?
Em Portugal, algumas farmácias com licença para manipulação preparam formulações personalizadas de semaglutida e tirzepatida, com dose ajustada ao perfil do doente. São medicamentos preparados individualmente para cada paciente, sob prescrição médica e supervisão farmacêutica.
Não devem ser confundidos com versões piratas ou compradas online sem receita: a manipulação legal segue as boas práticas das farmácias portuguesas e a mesma supervisão médica que qualquer outro tratamento.
Perguntas frequentes
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